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Um olho dentro da caixa
A caixa estava no meio da sala e não havia nada dentro; como se o vazio ocupasse o centro do mundo e eu chegasse meio de lado e descrevesse, com o corpo, um giro em volta do artefato, enfiasse o meu olho bom num buraco da superfície e ficasse lá de dentro observando alguma coisa acontecer a partir do nada, atento aos movimentos que ocorriam do lado de fora. Eu cheguei do Morro das Orquídeas, os meus cabelos ainda recendendo o cheiro das flores de lá, os meus passos se afunda

Daniel S. Santos
8 de out.
Jonas
Sou prisioneiro na décima terceira torre. A última do lado do canal. Na semana passada fui transferido para o primeiro pavimento; estou no cubículo número três que é concedido àquele que preenche os requisitos necessários para estar ali. As paredes, o piso e o teto são feitos de um material emborrachado e parecem respirar feito o pulmão de uma baleia, “eu sou um pequeno verme infeccionando o órgão do assombroso animal’’, eu penso com a ironia amarga dos rebeldes encarcerados.

Daniel S. Santos
21 de set.
O prisioneiro
“Você é o prisioneiro da cela 1233”, uma voz esganiçada saída de um pequeno megafone escorreu para dentro do quarto. “Bem, eu agradeço a informação. Eu nem sabia que era um prisioneiro”, eu pensei, dando os passos encolhidos de contumaz usuário de barbitúricos. Fui até a pequena janela no alto da parede para ouvir melhor a voz que saía do megafone. Subi num móvel imprestável que havia num canto e enfiei a cabeça na minúscula abertura. O meu esbugalhado olho bom viu um céu den

Daniel S. Santos
16 de set.
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