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Uma lufada de vento na janela
Desci a escada me desviando dos vultos que vinham do outro lado como uma pequena avalanche na minha direção. Mesmo com o esforço que eu fazia para me desvencilhar às vezes uma daquelas manchas negras perdidas dentro do escuro me atingia em cheio, ou, pelo menos, me fazia desequilibrar e errar o passo que eu dava para atingir o próximo degrau me deixando prestes a me espatifar no mármore áspero do chão. “Eu crio estórias. É isso que faço aqui. Escrevo estórias para serem lidas

Daniel S. Santos
31 de ago.
Morando dentro do conto
Vou escrever um conto e viver dentro dele. Andar pelas ruazinhas da pequena cidade que ele comporta; virar uma esquina, deter-me na portaria do pequeno prédio, subir as escadas até o terceiro andar. Girar a chave na porta e entrar. Vou andar até a escrivaninha debaixo da janela e começar a escrever um conto. “Oblose morava na rua da ponte e costumava vir à tarde na minha casa me importunar. Na verdade passava as tardes inteiras me incomodando com suas ideias idiotas. Eram dis

Daniel S. Santos
11 de ago.
Acidade sobre o abismo
Numa das minhas viagens por esses vilarejos remotos, durante uma convalescença, adquiri o vício da escrita; atividade absorvente e inútil; “a aranha tece a teia sem esperança de capturar sua presa.” Depois de contrair tal enfermidade tive que abandonar o hábito de vagar pelo continente insólito e estabelecer uma eficaz rotina de literato de subúrbio. Passei a construir pequenas vilas de papel e tinta, ainda mais remotas do que aquelas que eu havia percorrido; como um incansáv

Daniel S. Santos
21 de jul.
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