top of page

Morando dentro do conto

Foto do escritor: Daniel S. Santos
Daniel S. Santos
11 de ago.
2 min de leitura

Vou escrever um conto e viver dentro dele. Andar pelas ruazinhas da pequena cidade que ele comporta; virar uma esquina, deter-me na portaria do pequeno prédio, subir as escadas até o terceiro andar. Girar a chave na porta e entrar.

Vou andar até a escrivaninha debaixo da janela e começar a escrever um conto.


“Oblose morava na rua da ponte e costumava vir à tarde na minha casa me importunar. Na verdade passava as tardes inteiras me incomodando com suas ideias idiotas.

Eram discursos intermitentes e desconexos que se prolongavam dentro do calor insuportável que fazia e sem que eu lhe desse o menor sinal de que aquilo me agradava ele ia continuando.

Um dia veio com uma estória meio mirabolante que consegui distinguir no meio da sua fala esdrúxula: ‘Havia um cara que tomou a insólita decisão de morar dentro de um conto’, ele começou a dizer, ‘o cara escrevia coisas que iam jorrando lá de dentro do conto sem que nada pudesse deter a fúria das palavras que vinham chegando. Palavras brotando de dentro de palavras como água jorrando de uma fonte límpida. Num dos contos Vlaze vem me fazer mais uma das suas insólitas visitas. Atravessa a ponte, com passos lentos vai passando pelas ruazinhas estreitas até chegar na frente da minha casa. Nos seus movimentos em slow motion ele vinha preparando as asneiras que ia me dizer.

Fui recebê-lo no alpendre depois de ter ouvido o portãozinho estridente se abrindo: ‘Olha, eu vou escrever um conto e morar dentro dele’, ele me disse.”

Depositei a caneta no tampo da escrivaninha e me levantei para sair. Desci os três lances de escadas, atravessei a portaria sob o olhar enviesado do zelador e saí pra rua na direção do rio. Caminhei com passos rápidos. Ofegando em cima da ponte eu gritei: “Oblosi, Vlaze!” Ninguém me respondeu

Voltei à minha mesa de trabalho com um sentimento confuso indo de um lado pro outro dentro de mim como alguém andando por um corredor sem saber que direção tomar.

Comecei a ler o que havia escrito; demorou muito tempo para eu entender qual dos personagens iria escrever um conto e morar dentro dele.

 
 
Jonas

Sou prisioneiro na décima terceira torre. A última do lado do canal. Na semana passada fui transferido para o primeiro pavimento; estou no cubículo número três que é concedido àquele que preenche os r

 
 
O prisioneiro

“Você é o prisioneiro da cela 1233”, uma voz esganiçada saída de um pequeno megafone escorreu para dentro do quarto. “Bem, eu agradeço a informação. Eu nem sabia que era um prisioneiro”, eu pensei, da

 
 
Uma lufada de vento na janela

Desci a escada me desviando dos vultos que vinham do outro lado como uma pequena avalanche na minha direção. Mesmo com o esforço que eu fazia para me desvencilhar às vezes uma daquelas manchas negras

 
 
bottom of page